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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

SONETO INASCIDO

O poema subjaz.

Insiste sem existir

escapa durante a captura

vive do seu morrer.

O poema lateja.

É limbo, é limo,

imperfeição enfrentada,

pecado original.

O poema viceja no oculto

engendra-se em diluição

desfaz-se ao apetecer.

O poema poreja flor e adaga

e assassina o íncubo sentido.

Existe para não ser.

(Arthur da Távola)

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