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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

EN PAZ

Muy cerca de mi ocaso, yo te bendigo, Vida,
porque nunca me diste ni esperanza fallida,
ni trabajos injustos, ni pena inmerecida;
porque veo al final de mi rudo camino
que yo fui el arquitecto de mi propio destino;
que si extraje la miel o la hiel de las cosas,
fue porque en ellas puse hiel o mieles sabrosas:
cuando planté rosales coseché siempre rosas.

Cierto, a mis lozanías va a seguir el invierno:
¡mas tú no me dijiste que mayo fuese eterno!

Hallé sin duda largas las noches de mis penas;
mas no me prometiste tan sólo noches buenas;
y en cambio tuve algunas santamente serenas...

Amé, fui amado, el sol acarició mi faz.
¡Vida, nada me debes! ¡Vida, estamos en paz!




Amado Nervo- (México, 1870-1919. Obras: Poemas, 1901; Serenidad, 1914)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

SER, TER OU PARECER?



Estimulado pela “SP Fashion Week”, me pus, mais uma vez, a pensar sobre o que pretendemos com o que nos cobre – além de nos protegermos contra o frio e a vergonha. O tema é o da vaidade, esse prazer erótico fortíssimo presente em todos nós e que nos leva ao desejo de chamar a atenção, despertar olhares de admiração. Não adianta tentarmos nos livrar da vaidade, pois ela é parte integrante do nosso instinto sexual. Buscamos o destaque.

Ao comprarmos novas peças já levamos em conta o impacto que causarão. Ao nos prepararmos para sair, nos sentimos erotizados imaginando a reação “dos outros”. Buscamos usar o que melhor nos veste, o que nos caracteriza, o que nos faz atraentes. Gastamos uma boa parte do nosso tempo diante do espelho, tentando aprimorar nossa imagem.

Gostamos de parecer especiais e nos preocupamos bastante com nossa aparência (inclusive aqueles que adoram parecer desleixados!). Algumas pessoas gostam que sua imagem reflita aquilo que são: esportistas, intelectuais, artistas, membros de uma tribo tipo “góticos” ou “punks”, empresários de respeito, senhoras joviais e assim por diante. Tratam de usar roupas e adereços típicos, compondo sua imagem de forma discreta ou estravagante de acordo com o que pretendem transmitir.

Outras pessoas gostam de se exibir de acordo com o que têm, refletindo mais que tudo sua condição econômica: usam relógios caros, bolsas e sapatos de grifes renomadas – o que também lhes garantem um reforço de que são pessoas na moda e de gosto apurado –, jóias poderosas etc.

Outras ainda são fascinadas pela beleza das peças que muitas vezes são também as mais caras, sendo que têm os meios para se cobrir com elas. A preocupação maior é estética, de modo que costumam estar mais preocupadas com a qualidade do que com a quantidade do que possuem. Elas parecerão de acordo com o que são e têm. Vejo coerência nas atitudes das pessoas que se encaixam nos 3 casos. Penso que, além de se sentirem envaidecidas pelos eventuais elogios recebidos, poderão se sentir bem do ponto de vista da auto-estima – que só se alimenta de atitudes e conquistas verdadeiras.

O que pensar, porém, daqueles que parecem o que não são ou não têm? Como fica a autoestima daquela mulher que usa as roupas mais extravagantes e que se sabe sexualmente travada? Como se sente quem chama a atenção dos conhecidos por desfilar com uma bolsa ou relógio falsos? E aquele que se veste e age como intelectual e que jamais leu um livro? Não há auto-estima que resista! Penso que “o crime não compensa”, pois não há “mutreta” possível quando se trata da vida íntima. Seria muito melhor usar a imaginação e encontrar uma outra forma, mais criativa, de se apresentar diante dos olhos das outras pessoas.

Flávio Gikovate

domingo, 24 de janeiro de 2010

A MAIS BELA FLOR

O estacionamento estava deserto quando me sentei para ler embaixo dos longos ramos de um velho carvalho. Desiludido da vida com boas razões para chorar, pois o mundo estava tentando me afundar.

E se não fosse razão suficiente para arruinar o dia, um garoto ofegante se chegou, cansado de brincar.
Ele parou na minha frente, cabeça pendente, e disse cheio de alegria:

-"Veja o que encontrei".

Na sua mão uma flor, e que visão lamentável, pétalas caídas, pouca água ou luz. Querendo me ver livre do garoto com sua flor, fingi pálido sorriso e me virei. Mas ao invés de recuar ele se sentou ao meu lado, levou a flor ao nariz e declarou com estranha surpresa:

- "O cheiro é ótimo, e é bonita também... Por isso a peguei; ei-la, é sua."



A flor à minha frente estava morta ou morrendo, nada de cores vibrantes como laranja, amarelo ou vermelho, mais eu sabia que tinha que pegá-la, ou ele jamais sairia de lá. Então me estendi para pegá-la e respondi:

- O que eu precisava.

Mas, ao invés de colocá-la na minha mão, ele a segurou no ar sem qualquer razão. Nessa hora notei, pela primeira vez, que o garoto era cego, que não podia ver o que tinha nas mãos. Ouvi minha voz sumir, lágrimas despontaram ao sol enquanto lhe agradecia por escolher a melhor flor daquele jardim.

-"De nada ele sorriu."

E então voltou a brincar sem perceber o impacto que teve em meu dia. Me sentei e pus-me a pensar como ele conseguiu enxergar um homem auto-piedoso sob um velho carvalho. Como ele sabia do meu sofrimento autoindulgente? Talvez no seu coração ele tenha sido abençoado com a verdadeira visão.

Através dos olhos de uma criança cega, finalmente entendi que o problema não era o mundo, e sim EU.
E por todos os momentos em que eu mesmo fui cego, agradeci por ver a beleza da vida e apreciei cada segundo que é só meu.

E então levei aquela feia flor ao meu nariz e senti a fragrância de uma bela rosa, e sorri enquanto via aquele garoto, com outra flor em suas mãos prestes a mudar a vida de um insuspeito senhor de idade.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

GOSTO DE POESIA

Aprendi a gostar de poesia com minha mãe, Dona Martha. Ela tinha alguns cadernos onde escrevia aquelas das quais mais gostava, além de pensamentos e letras de música.

E, meu poeta preferido é Thiago de Mello, sendo dele meu livro preferido, "Faz escuro mas eu canto".  E, entre tantas poesias que ele escreveu, a que gosto mais é "A vida verdadeira", que está aí embaixo.

Não sei porque a gente elege um escritor, um poeta, uma poesia, um livro, uma música... Acho outras poesias até mais bonitas, mas... não são as minhas prediletas...

Ouço músicas mais bonitas que "Modinha", "Polonaise nº 6", mas, não são as minhas preferidas...

A gente gosta, elege e pronto! Pra que procurar saber o motivo???


A VIDA VERDADEIRA

Pois aqui está a minha vida.
Pronta para ser usada.
Vida que não guarda
nem se esquiva, assustada.
Vida sempre a serviço
da vida.
Para servir ao que vale
a pena e o preço do amor

Ainda que o gesto me doa,
não encolho a mão: avanço
levando um ramo de sol.
Mesmo enrolada de pó,
dentro da noite mais fria,
a vida que vai comigo
é fogo:
está sempre acesa.

Vem da terra dos barrancos
o jeito doce e violento
da minha vida: esse gosto
da água negra transparente.

A vida vai no meu peito,
mas é quem vai me levando:
tição ardente velando,
girassol na escuridão.

Carrego um grito que cresce
Cada vez mais na garganta,
cravando seu travo triste
na verdade do meu canto.

Canto molhado e barrento
de menino do Amazonas
que viu a vida crescer
nos centro da terra firme.
Que sabe a vinda da chuva
pelo estremecer dos verdes
e sabe ler os recados
que chegam na asa do vento.
Mas sabe também o tempo
da febre e o gosto da fome.

Nas águas da minha infância
perdi o medo entre os rebojos.
Por isso avanço cantando
Estou no centro do rio
estou no meio da praça.
Piso firme no meu chão
sei que estou no meu lugar,
como a panela no fogo
e a estrela na escuridão.

O que passou não conta ?, indagarão
as bocas desprovidas.
Não deixa de valer nunca.
que passou ensina
com sua garra e seu mel.

Por isso é que agora vou assim
no meu caminho. Publicamente andando
Não, não tenho caminho novo.
O que tenho de novo
é o jeito de caminhar.
Aprendi
(o que o caminho me ensinou)
a caminhar cantando
como convém
a mim
e aos que vão comigo.
Pois já não vou mais sozinho.

Aqui tenho a minha vida:
feita à imagem do menino
que continua varando
os campos gerais
e que reparte o seu canto
como o seu avô
repartia o cacau
e fazia da colheita
uma ilha do bom socorro.

Feita à imagem do menino
mas a semelhança do homem:
com tudo que ele tem de primavera
de valente esperança e rebeldia.

Vida, casa encantada,
onde eu moro e mora em mim,
te quero assim verdadeira
cheirando a manga e jasmim.
Que me sejas deslumbrada
como ternura de moça
rolando sobre o capim.

Vida, toalha limpa
vida posta na mesa,
vida brasa vigilante
vida pedra e espuma
alçapão de amapolas,
sol dentro do mar,
estrume e rosa do amor:
a vida.

Há que merecê-la.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

MEDIDAS e DESMEDIDAS

Nem sempre sei onde encontrar o equilíbrio para o bem-viver.

Aprendemos que devemos viver hoje sem pensar no amanhã, mas que tudo tem o seu tempo certo.

Alguns dizem que cada minuto é único, insubstituível e irrecuperável e outros que um minuto pode conter toda uma eternidade. Nos encontramos assim nesse vão de não querer tomar decisões precipitadas
e não deixar o tempo passar sem ter aproveitado tudo e o máximo que podemos.

Não existem medidas na vida. Tudo parece uma grande incógnita e o sentimento de arrependimento de ter feito e do não ter feito são dolorosos da mesma forma.

Se voltássemos atrás para tomar outras decisões, teríamos certamente outros tipos de pensamentos
e arrependimentos.

Não sabemos guiar a vida, apenas acolhê-la. A vida é imprevisível! Imprevisíveis são as consequências
das decisões que tomamos e das que prorrogamos. Reconhecer os próprios erros, assumi-los e aprender a gerenciá-los é sinal de sabedoria e maturidade.

Magoar-se contínua e intencionalmente porque pegou-se caminhos errados é uma agressão desnecessária contra o próprio eu. O sofrimento não diminui a pena.

O importante é olhar para a frente, assumir a vida como um todo, viver as dores como um mal passageiro
e as alegrias como se pudessem durar toda a eternidade.

Ninguém está isento das pedras, dos caminhos tortuosos, mas também não do nascer e do pôr do sol,
dos campos floridos e dos momentos de felicidade que fatalmente chegam.

A vida nos pertence num todo, com as suas medidas e desmedidas! E Deus não vê o que fizemos ou deixamos de fazer, Ele não nos condena continuamente. Ele vê os propósitos do nosso coração, a nossa vontade de ser e fazer melhor, a nossa busca, mesmo se por caminhos sinuosos, da felicidade. E Ele reconstrói nosso coração, tal qual um oleiro amoroso do seu trabalho.

As pessoas que creem nessas verdades não deixarão de se ajoelhar e não impedirão as lágrimas, mas terão, no fim da estrada, a sensação de terem extraído todo o néctar da vida e descansarão, saciadas.

Letícia Thompson

BOM FINAL DE SEMANA!!!

PENSAR NO HAITI, REZAR PELO HAITI...

O que temos visto pela televisão... imagino que não seja nada perto do que deve estar acontecendo no Haití.

Nós, distantes de lá, sentimos uma dor, um sentimento triste... mas, estamos em nossa casa, abrigados, alimentados, vestidos - o que sentirá aquelas pessoas que estão desabrigadas, com fome, sem sequer ter uma roupa para vestir, um copo de água, um prato de comida?

Imagino que não conseguimos dimensionar essa tragédia... Um povo sofrido desde há tanto tempo, sempre necessitando de ajuda externa, mas que sempre diz acreditar, ter esperança.

Pensar no Haiti, rezar pelo Haiti... sempre... E, seguir o exemplo da Dra. Zilda Arns no cuidado, na atenção que sempre teve com os mais pobres, com as crianças. Não precisamos ir até o Haiti para fazermos a nossa parte, mas se fizermos um pouco que seja pelos nossos pobres, por nossas crianças, o que parece ser uma gota no oceano, para eles essa gota poderá melhorar suas vidas e até salvar...



E que Deus proteja aquele país, aquelas pessoas...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

QUE CALOR!!!

Nossa, sempre disse e senti que "não sou encalorada"... mas, que calor é esse???

Estou quase explodindo de tanto tomar líquido, suco...

E, não dá vontade de fazer nada mesmo... então, não vou fazer nada mesmo, apesar de ter um mundaréu de coisas esperando... Que fiquem pra lá!!!

É isso... vou tomar um suco geladíssimo e depois voltarei...

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Música "Quem de nós dois" - Ana Carolina - Mima Badan

Música "Quem de nós dois" - Ana Carolina - Mima Badan

ESPERANÇA

Lá bem no alto do décimo segundo andar do ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se

E
- ó delicioso vôo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:
- Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
- O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...



MÁRIO QUINTANA -  extraído do livro "Nova Antologia Poética", Editora Globo - São Paulo, 1998, pág. 118.