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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

NUM CAMPO DE MARGARIDAS

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Sonhei que estavas dormindo
num campo de margaridas
sonhando que me chamavas,
que me chamavas baixinho
para me deitar contigo
num campo de margaridas.
No sonho ouvia o meu nome
nascendo como uma estrela,
como um pássaro cantando.

Mas eu não fui, meu amor,
que pena!, mas não podia,
porque eu estava dormindo
num campo de margaridas
sonhando que te chamava
que te chamava baixinho
e que em meu sonho chegavas,
que te deitavas comigo
e me abraçavas macia
num campo de margaridas.

(Thiago de Mello)

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

PALAVRAS DE LYA LUFT







Já não procuro a palavra exata

que me pudesse explicar:

ando pelos contornos onde todos os significados

são sutis, são mortais.


Não busco prender o momento belo:

quero vivê-lo sempre mais 

com a intensidade que exige a vida

com o desgarramento do salto e da fulguração.


E me corto ao meio e me solto de mim duplo coração

a que vive

a que narra

a que se debate

e a que voa -

na loudcra que redimeda lucidez.






terça-feira, 13 de novembro de 2012

SILÊNCIO







Assim como do fundo da música
brota uma nota
que enquanto vibra cresce e se adelgaça
até que noutra música emudece,
brota do fundo do silêncio
outro silêncio, aguda torre, espada,
e sobe e cresce e nos suspende
e enquanto sobe caem
recordações, esperanças,
as pequenas mentiras e as grandes,
e queremos gritar e na garganta
o grito se desvanece:
desembocamos no silêncio
onde os silêncios se emudecem.

(Octávio Paz)

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

SE ME QUISEREM AMAR




Se me quiserem amar, terá de ser agora: 
depois, estarei cansada. 

Minha vida foi feita de parceria com a morte: 
pertenço um pouco a cada uma, para mim 
sobrou quase nada. 

Ponho a máscara do dia, um rosto cômodo e fixo: 
assim garanto a minha sobrevida. 

Se me quiserem amar, terá de ser hoje: 
amanhã, estarei mudada. 

(Lya Luft)