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terça-feira, 23 de setembro de 2008

Alberto Centurião, meu amigo poeta

Sou uma pessoa muito privilegiada, pois tenho uma linda família e muitos amigos. Esses amigos são importantes, me fazem crescer, alegram minha vida cada um de seu jeito...
Dentre tantos, tenho um lindo amigo poeta - Alberto Centurião, que com sua sensibilidade coloca em versos o cotidiano, a vida, o amor, a amizade...
Aí vai um poema escrito por ele:

O artista e seu retrato quando velho

Tem vezes que a gente faz coisas que não se faz
e sabe que não devia
mas faz e depois se arrepende
e sente vergonha
medo repulsa dó desalento
mas já fez e está feito
e bate uma baita tristeza
e o coração se oprime
e um peso aperta o peito de um jeito
que o osso do peito sente a pressão
mas já não tem jeito
o que está feito está feito
então o jeito é juntar os cacos
com soldar o que sobrou
tratar de refazer o próprio ego
ferido despedaçado
o dia desperdiçado
e já que não tem conserto
o que foi feito foi feito
consertar a auto-imagem
juntando toda a coragem
para encarar no espelho do fato
o próprio auto-retrato
e decidir fazer com novos atos
novos fatos
para um novo auto-retrato
mais ao gosto do artista
que faz do gesto pincel
e na tela da vida usa o matiz da palavra
para o estudo frustrado recobrir com novas telas
mais do seu jeito mais belas
que o artista sem retoques não seria irretocável
e à custa de repintar-se o artista se reconstrói
recriando os próprios atos
até recriado inteiro tornar-se iguaria fina
o artista quando velho é a própria obra-prima

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