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sexta-feira, 15 de maio de 2009

FELICIDADE


Ela veio bater à minha porta
e falou-me, a sorrir, subindo a escada:
"Bom dia, árvore velha e desfolhada!"
E eu respondi: "Bom dia, folha morta!"

Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando, pouco importa!)
houve canções na ramaria torta
e houve bandos de noivos pela estrada...

Então, chamou-me e disse: "Vou-me embora!
Sou a Felicidade! Vive agora
da lembrança do muito que te fiz!"

E foi assim que, em plena primavera,
só quando ela partiu, contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!


Guilherme de Andrade e Almeida nasceu em Campinas, no dia 24 de julho de 1890. Filho do jurista e professor de Direito Estevam de Araújo Almeida e de Angelina de Andrade Almeida, estudou nos ginásios Culto à Ciência, de Campinas, e São Bento e Nossa Senhora do Carmo, de São Paulo.

Em 1912, formou-se em Direito e, nos anos seguintes, conciliou o exercício da profissão de advogado com trabalhos como cronista social, crítico cinematográfico, tradutor e, principalmente, poeta. Em 1917, teve publicado seu primeiro livro, Nós. Depois, publicou A Dança das Horas (1919), Messidor (1919), A Suave Colheita , Livro de Horas de Sóror Dolorosa (1920) e Era uma Vez... (1922).

Participou da Semana de Arte Moderna de 1922 , fundando a revista Klaxon, principal revista dos modernistas. Em 1923, no Rio de Janeiro, RJ, casou-se com Belkiss Barrozo do Amaral (Baby), com quem teve um filho. Em 1928, tornou-se membro da Academia Paulista de Letras e foi o primeiro modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras, em 1930. Em 1932, combateu na Revolução Constitucionalista, o que lhe custou a prisão e o exílio em Portugal. De volta ao Brasil, foi morar em São Paulo e continuou produzindo ensaios, traduções e poemas.

Sua produção de caráter modernista concentra-se em três livros publicados em 1925: Encantamento, Meu e Raça. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, em 16 de setembro de 1959, pelo jornal Correio da Manhã. Faleceu em 11 de julho de 1969, em São Paulo, sendo sepultado no Obelisco e Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Parque Ibirapuera.

(Fonte: Prefeitura Municipal de Campinas - Secretaria de Cultura)

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