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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O SINO DA MINHA ALDEIA



O sino da minha aldeia,
dolente na tarde calma,
cada tua badalada
soa dentro de minha alma.

E é tão lento o teu soar,
tão como triste da vida,
que já a primeira pancada
tem o som de repetida.

Por mais que me tanjas perto,
quando passo, sempre errante,
és para mim como um sonho,
soas-me na alma distante.

A cada pancada tua,
vibrante no céu aberto,
sinto mais longe o passado,
sinto a saudade mais perto.

(Fernando Pessoa)




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