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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A MENTIRA DESCOBERTA

O  Dr.  Arun  Gandhi,  neto  de Mahatma Gandhi e fundador do Instituto M.K. Gandhi  para  a  Vida  Sem  Violência,  em  sua  palestra de 9 de junho, na Universidade  de  Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo da vida sem violência exemplificada por seus pais:

Eu  tinha  16 anos e estava vivendo com meus pais no instituto que meu avô havia fundado, a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar.

Estávamos  bem  no  interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, sempre nos  entusiasmava,  às duas irmãs e a mim, poder ir à cidade visitar amigos ou ir ao cinema.

Certo  dia,  meu  pai  me  pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência  que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade.

Como  iria  à cidade, minha mãe deu-me uma lista de coisas do supermercado, as  quais  necessitava, e como iria passar todo o dia na cidade, meu pai me pediu  que me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina.

Quando me despedi de meu pai, ele me disse: 'Nós nos veremos neste local às 5 horas da tarde e retornaremos à casa juntos.'

Após,  muito  rapidamente,  completar  todas as tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme, um filme duplo de John Wayne, que me esqueci do tempo. Eram 5:30 horas da tarde, quando me lembrei.

Corri  à  oficina,  peguei  o  carro  e  corri  até  onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 6 horas da tarde.

Ele  me perguntou com ansiedade: 'Por que chegaste tarde?' Eu me sentia mal com  o  fato  e  não lhe podia dizer que estava assistindo um filme de John Wayne.  Então,  eu  lhe  disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar...  isto  eu  disse  sem  saber  que meu pai já havia ligado para a oficina.

Quando  ele  se deu conta de que eu havia mentido, disse-me: 'Algo não anda bem,  na  maneira  pela qual te tenho educado, que não te tem proporcionado confiança em dizer-me a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado contigo. Vou caminhar as 18 milhas à casa e pensar sobre isto.'

Assim,  vestido  com seu traje e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até  a  casa,  por  caminhos que nem estavam asfaltados nem iluminados.

Não podia deixá-lo só. Assim, dirigi por 5 horas e meia atrás dele... vendo meu pai sofrer a agonia de uma mentira estúpida que eu havia dito.

Decidi, desde aquele momento, que nunca mais iria mentir.

Muitas  vezes  me  recordo  desse  episódio  e  penso..  Se ele me tivesse castigado  do  modo  que castigamos  nossos filhos... teria eu aprendido a lição?... Não acredito... Se tivesse sofrido o castigo, continuaria fazendo o mesmo...Mas, tal  ação  de  não-violência  foi  tão forte que a tenho impressa na memória como se fosse ontem...

Este é o poder da vida sem violência.

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