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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O CAMPEADOR COM AS RÉDEAS DO TEMPO

Quando os ventos chegarem
na terra forte,
quando as nuvens rolarem
sobre as nuvens
e o vento se deslocar
sobre o vento,
o sonho tombará o sonho,
reverdecendo.

Quando o vento se deslocar
sobre o vento
na terra forte,
os homens serão setas no tempo.
O tempo destila o tempo.

Os ventos serão asas,
os homens serão ventos,
as noites serão as noites
dentro das noites,
as casas
dentro dos homens,
o tempo.

A morte sempre vivida
é vida multiplicada.

Nada,
nem a lentidão do drama,
o curto espaço
em que habitava,
o fio da espada,
nem os trópicos,
nada embaciava
aquela onda :
o Cavaleiro e sua jornada.

As pedras se transformam
em astros longe ventando,
os pássaros retomam
os horizontes de vento.

As noites passam
dentro das noites
e os ventos dentro
dos ventos.

A morte sempre vivida
é vida multiplicada.

O vento é o vento ,
a vida é noite
cheia de ventos,
porém ao vento
como encontrá-lo ?
Na sombra branca ,
na sombra branca,
na sombra branca de seu cavalo.

O vento é o vento;
as crinas não rompem
o silêncio
e ao seu galope
retumba a água,
prossegue sempre,
até que o tempo
desmonte a morte,
no seu galope,
desmonte o tempo.
Prossegue sempre.

Quando os ventos forem caminhos
e os ventos-ventos forem sementes,
quando os cavalos forem moinhos
e a noite negra for transparente.

Quando os ventos forem caminhos,
quando os barcos forem poente,
quando os cavalos forem moinhos,
moendo a noite tranquilamente.

Quando os ventos forem caminhos,
a vida cheia de ventos
na vida feita semente,
moendo o jugo com seus dentes.

Quando os ventos forem caminhos,
seremos ventos e ninhos,
sombras esguias, ventos-moinhos,
moendo a noite nos seus caminhos.

(Carlos Nejar)

Um comentário:

Maria Souza disse...

Olá
Gostei imenso do seu blogue. Está lindo.
Parabéns
Um abraço
Maria Souza