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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A HORA DO CANSAÇO

As coisas que amamos, as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável no limite de nosso poder.

De respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.

De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.

Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto acre
na boca, na mente,
sei lá, talvez no ar.

(Carlos Drumond de Andrade)

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