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domingo, 6 de dezembro de 2009

O ANJO

Um homem estava sentado num banco de praça. Seus olhos completamente ilhados em lágrimas. Sentia já o coração bater fraco, porque suas esperanças eram poucas.

Perdera sua fé, sua razão e seus sentidos. Pensava somente no fracasso. Nada nos últimos tempos tinha dado certo em sua vida. Tentara em vão várias coisas e não conseguira.

Agora se abatia com essa sensação de fracasso. Pensava em sua família, em seus amigos, em seu emprego, e principalmente pensava na mulher que amava, que não o amava. De todos os sonhos possíveis que pudesse ter, este era certamente o impossível.

Pensou sua vida desde que se conhecera por gente até aquele momento. Pensou na sua trajetória e onde havia cismado de parar. Era agora o arquétipo do errante, o homem sem trajetória certa. Alguém que estava alí e não entendia o sentido.

Por mais que pensasse e refletisse, sua sensação de não ter respostas era maior. Quanto mais pensava, mais sua alma se espremia e ficava menor.

Tentara em vão a vida inteira seguir uma trilha certa, mas o mundo lhe dava reviravoltas e insistia em testar sua persistência e sua força. Só que agora estava cansado e não queria mais lutar. Entregou-se completamente e abaixou sua cabeça.

Pediu apenas que um anjo aparecesse e o levasse dalí. Calou-se num silêncio mortal.

Uma eternidade passou pela sua cabeça até que deu conta de si, ao sentir a mão de um menino de rua que lhe puxava pela camisa, pedindo uns trocados.

Olhou para aquele menino sujo, pobre e maltrapilho, e sentiu asco. Logo naquele momento um menino de rua pedindo uns trocados! Tinha coisas mais importantes para pensar! Tinha coisas mais importantes no mundo que isso!

Sua vida estava se consumindo e ele só queria um anjo que o salvasse.

Empurrou o menino e pediu que fosse embora. Não tinha trocado, nem tempo para dar atenção a ele. Fez de conta que o menino não estava alí e abaixou sua cabeça novamente, à espera de seu anjo salvador...

Fechou seus olhos e sua visão.

E não viu que o menino o abençoou e bateu asas rumo ao céu...

Anjos estão à nossa volta, e assumem várias formas, mas, que pena, ainda não aprendemos a vê-los...

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