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domingo, 11 de janeiro de 2009

A PRECE DE MARIA


Poesia Gauchesca

Autor: Moacir D'Avila Severo

O Sol desce na amplitude do espaço
Na intensão de esconder-se no horizonte,
Rosto redondo, com sorriso encabulado,
Ruborizando o azul da água da fonte

Os ponteiros do relógio se perfilam.
São seis horas, é outono, é fim de dia.
Maria, então, olha o céu e de mãos postas
Mexe os lábios murmurando: - Ave Maria!

Em sua prece diz que o peão teme que a sorte
Lhe tire o campo onde liberto ele se sente.
E o leve ao povo, ao arrabalde, à beira rio,
Pra ver seu rancho mergulhado nas enchentes.

Diz que o pé que tapa a cova com sementes
Não se acostuma com calçados nem calçadas.
Que sem ofício o peão irá procurar vícios
Perdendo o amor que tem na china e na piazada.

Me fere a alma ao vê-la findar a prece,
Quando agradece o tão pouco que ela tem.
Mas se não tem nada além de ser Maria,
Conforta a fé que tem na Maria do além.

Um comentário:

Anônimo disse...

Sou Moacir D'Avila Severo. Na primeira estrofe onde diz:agua da noite, o certo e agua da fonte. Muito obrigado por ter gostado do poema. Fico muito feliz e desejo a grande "Mima Badan" um feliz 2011.