quarta-feira, 13 de abril de 2011


Mais uma vez acontecerá em São Paulo o
BAZAR DO BEM POSSÍVEL com a participação de 112 instituições.

Esse evento é sempre um sucesso, pois existe venda de coisas maravilhosas, cuja venda ajudará as instituições em seus trabalhos.

Rai, ex-jogador de futebol é o padrinho do evento.

APAREÇAM!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A MAIOR DOR

Ela chora: sua criança partiu. Partiu antes da hora, partiu na escola junto de seus professores e de seus amigos.

Quando ela deixou sua criança na escola, saiu feliz. Ela gostava do colégio, dos professores e dos amigos. Era estudiosa, queria estudar bastante para poder um dia,
ser alguém na vida, ajudar a família e ter também a sua família.

Quando ela deixou sua criança na escola, saiu confiante. Ia para o trabalho com a certeza que estaria bem, segura e que nada poderia acontecer de ruim, afinal, estava na escola.

Quando seu telefone tocou... tudo mudou, sua confiança, sua alegria se foram... Sua criança também tinha ido... ido embora, não da escola, mas da vida.

Seria verdade mesmo? Mas, como sua criança havia morrido se ela estava na escola? Como alguém pode morrer assim, se está na escola?

A dor, de tão grande parece explodir o coração da mãe. Como viver sem sua criança? Como continuar a viver sem sua criança, sem sua menina que queria ser moça, mulher?

Precisava orar, mas nem isso conseguia... Orar como? Orar a quem? A infeliz mãe não conseguia... ela só queria chorar e ficar, nem que seja só mais um pouquinho perto de sua criança, aquela criança que sonhava, sorria e era tão feliz.

Despede-se da sua criança...

Até um dia, minha criança... até um dia...

(Mima Badan, também chorando...)




terça-feira, 5 de abril de 2011

DÁ-ME A TUA MÃO



Dá-me a tua mão:
Vou agora te contar
como entrei no inexpressivo
que sempre foi a minha busca cega e secreta.
De como entrei
naquilo que existe entre o número um e o número dois,
de como vi a linha de mistério e fogo,
e que é linha sub-reptícia.

Entre duas notas de música existe uma nota,
entre dois fatos existe um fato,
entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam
existe um intervalo de espaço,
existe um sentir que é entre o sentir
- nos interstícios da matéria primordial
está a linha de mistério e fogo
que é a respiração do mundo,
e a respiração contínua do mundo
é aquilo que ouvimos
e chamamos de silêncio.

(Clarice Lispector)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

SERÁ UMA VEZ


JOSÉ NÊUMANNE PINTO
No dia em que chegar o dia,
nem é preciso que eu esteja pronto,
enfatiotado para a viagem de rumo incerto
e com bagagem feita, além de minha nudez.
Na hora em que chegar a hora,
a hora incerta, a que não tem seguinte,
pretendo apenas estar sóbrio e lúcido,
para me servir de boa companhia,
pois longa será a travessia
e não haverá a chance de chamar alguém.


Quando chegar a visita que não se espera,
não lhe servirei café na xícara
nem terei palavras para lhe saudar a entrada.
Quero estar mudo como a matéria, que serei de novo,
pois quanto mais houver silêncio num adeus,
mais comovido será o momento.
Não importa quanto o tempo vivido,
pois será sempre escasso.
Nem a saudade que fica conta,
pois sempre haverá o vazio imenso...
 

Quando o dia chegar, sem aviso,
não haverá testamentos a assinar
nem encontros combinados a confirmar,
muito menos o testemunho de minha ausência.
Será, como sempre, numa hora precária,
pois, afinal, precárias são todas as horas
e, pelo menos para quem fica, ela terá
a vaga importância que têm todas as horas.
Reservo-me apenas o direito de sonhar sozinho
o sonho definitivo do último sono,
o delírio final da razão partindo
e o último alento da visão, que escapa.
 

Não é lícito escrever tanto sobre estas coisas
nem cabe aqui descrever o não sabido,
que, no entanto, é só o que se sabe.
Sei apenas que sou pó
e, quando voltar ao pó, de onde venho,
gostarei de ter passado como um cometa,
não apenas um meteorito tonto
a esmagar as pedras que rolam no caminho.
Quando eu passar, definitivamente,
mesmo tendo sido em vão o meu desfile,
quero que meu amor guarde de mim os doces instantes
e os inimigos eventuais tenham cebolas a cortar.
 

Quando hoje houver, mas amanhã nem talvez,
quem tiver cruz a transportar nas costas
que a fixe sobre o chão que me abrigar
e meus filhos me possam lembrar
como a semente que teimou em germinar.
Quando mergulhar no mar vazio,
de onde vim, também sem o saber,
estarei, como nunca, melado
da placenta pastosa das palavras,
berrando o urro primevo e primal
de todo inexistente que alguma vez tenha existido.


JOSÉ NÊUMANNE PINTO

São Paulo, madrugada de 7 de março de 1998