"Jogaram uma pedra na tranquilidade do lago. O lago comeu-a, sorriu ondulações e ficou novamente tranquilo."
Prof. Hermógenes
sábado, 23 de maio de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
A HORA DO CANSAÇO

As coisas que amamos,as pessoas que amamos
são eternas até certo ponto.
Duram o infinito variável no limite de nosso poder.
De respirar a eternidade.
Pensá-las é pensar que não acabam nunca,
dar-lhes moldura de granito.
De outra matéria se tornam, absoluta,
numa outra (maior) realidade.
Começam a esmaecer quando nos cansamos,
e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário,
de aspirar a resina do eterno.
Já não pretendemos que sejam imperecíveis.
Restituímos cada ser e coisa à condição precária,
rebaixamos o amor ao estado de utilidade.
Do sonho de eterno fica esse gosto acre
na boca, na mente,
sei lá, talvez no ar.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
sexta-feira, 15 de maio de 2009
FELICIDADE

Ela veio bater à minha porta
e falou-me, a sorrir, subindo a escada:
"Bom dia, árvore velha e desfolhada!"
E eu respondi: "Bom dia, folha morta!"
Entrou: e nunca mais me disse nada...
Até que um dia (quando, pouco importa!)
houve canções na ramaria torta
e houve bandos de noivos pela estrada...
Então, chamou-me e disse: "Vou-me embora!
Sou a Felicidade! Vive agora
da lembrança do muito que te fiz!"
E foi assim que, em plena primavera,
só quando ela partiu, contou quem era...
E nunca mais eu me senti feliz!
Guilherme de Andrade e Almeida nasceu em Campinas, no dia 24 de julho de 1890. Filho do jurista e professor de Direito Estevam de Araújo Almeida e de Angelina de Andrade Almeida, estudou nos ginásios Culto à Ciência, de Campinas, e São Bento e Nossa Senhora do Carmo, de São Paulo.
Em 1912, formou-se em Direito e, nos anos seguintes, conciliou o exercício da profissão de advogado com trabalhos como cronista social, crítico cinematográfico, tradutor e, principalmente, poeta. Em 1917, teve publicado seu primeiro livro, Nós. Depois, publicou A Dança das Horas (1919), Messidor (1919), A Suave Colheita , Livro de Horas de Sóror Dolorosa (1920) e Era uma Vez... (1922).
Participou da Semana de Arte Moderna de 1922 , fundando a revista Klaxon, principal revista dos modernistas. Em 1923, no Rio de Janeiro, RJ, casou-se com Belkiss Barrozo do Amaral (Baby), com quem teve um filho. Em 1928, tornou-se membro da Academia Paulista de Letras e foi o primeiro modernista a entrar para a Academia Brasileira de Letras, em 1930. Em 1932, combateu na Revolução Constitucionalista, o que lhe custou a prisão e o exílio em Portugal. De volta ao Brasil, foi morar em São Paulo e continuou produzindo ensaios, traduções e poemas.
Sua produção de caráter modernista concentra-se em três livros publicados em 1925: Encantamento, Meu e Raça. Foi eleito Príncipe dos Poetas Brasileiros, em 16 de setembro de 1959, pelo jornal Correio da Manhã. Faleceu em 11 de julho de 1969, em São Paulo, sendo sepultado no Obelisco e Mausoléu do Soldado Constitucionalista, no Parque Ibirapuera.
(Fonte: Prefeitura Municipal de Campinas - Secretaria de Cultura)
segunda-feira, 11 de maio de 2009
HEY JUDE

Quinta-feira - 30 de abril de 2009 - Trafalgar Square - Londres:
13.500 pessoas se juntaram na praça para cantar a música dos BEATLES, HEY JUDE, em um dos karaokês mais emocionantes da História. O vídeo que você vai assistir foi divulgado pelo programa “Britain’s Got Talent”, o mesmo que tornou famosa Susan Boyle.
http://www.youtube.com/watch?v=kHdJR6iUBFM
sexta-feira, 8 de maio de 2009
MÃE - PALAVRA MÁGICA

Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.
‘Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira.
‘Você acha que eu deveria ter um bebê?'
‘Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
‘Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana,nada de férias espontâneas.. .'
Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer. Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.
Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.
Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
‘Você jamais se arrependerá', digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'
Autor Desconhecido
E QUEM NÃO É MÃE?
As mulheres que optaram por não ter filhos acabam virando mães de muita gente: dos sobrinhos, dos filhos dos outros, dos pais, da diarista... Ou seja, para que as mães possam ser mães com mais tranqüilidade, é preciso que existam algumas 'não-mães' cuidando do resto
Todo ano é a mesma coisa: saio para almoçar no Dia das Mães, não pela data, mas porque almoço fora todos os domingos, e, na entrada ou na saída do restaurante, recebo uma rosa, coloco num vaso -mas ela fica muito solitária ali. Mudo para um copo americano e, no final do dia, a rosa acaba indo agonizar dentro da lata de lixo. A pergunta que não quer calar nesses domingos de maio é sempre a mesma: por que não passa pela cabeça de (quase) ninguém, incluindo os donos de restaurantes, que algumas mulheres podem não ser mães? Ou, melhor dizendo: por que, na nossa cultura, ser mãe ainda é o destino do qual nenhuma mulher pode fugir?
'Já me acostumei a ser vista como ET', diz Ana Maria, casada e a única de sua turma de amigas a optar por não ter filhos. 'E devo ter respondido umas 530 vezes até hoje por que não quis ser mãe.' Pergunto a ela como faz para responder uma pergunta tão difícil em conversas que em geral ficam na superfície. Quero aprender o segredo. 'Às vezes tenho vontade de perguntar se ela dispõe de umas três horas pra ouvir a resposta', brinca. 'Mas acabo dizendo qualquer coisa do tipo 'nunca me senti preparada', como se isso pudesse resumir tudo que vivi internamente até tomar essa decisão.' É mais ou menos como tentar explicar os conflitos no Oriente Médio dizendo que árabes e judeus não se curtem.
O fato é que nós, não-mães, ainda somos vistas como mulheres à parte. As que não puderam ter filhos contam com a solidariedade das outras. Mas as que optaram por não tê-los são vistas como criaturas exóticas e imaturas, não raro egoístas. Em um mundo cheio de parquinhos, carrinhos, bichinhos, amiguinhos -esse vasto mundo no diminutivo-, quem não tem filhos se sente grande e desajeitada, alguém que não se encaixa. Talvez por isso algumas mulheres tenham comportamentos excêntricos para compensar a não-maternidade.
Juliana pediu emprestado o filho da amiga para ir à Disney. Ela queria fazer aquela viagem clássica à Flórida, mas não conseguia se imaginar lá sozinha, aos 30 anos, naquele mar de mães e meninos. Pagou a viagem para o quase-sobrinho e lá se foram os dois, ela feliz no papel de quase-mãe e quase-tia. Raquel, que fez mil tratamentos mas (ainda) não conseguiu engravidar, diz que tira de letra a maioria das situações enfrentadas pelas não-mães, menos os horários de pico nas padarias. 'É duro. Todo mundo pedindo sete, oito pãezinhos, e eu saio com um só, naquele minissaquinho... Já cheguei a pedir quatro, só para me sentir menos diferente. Hoje, fujo dos horários de pico, prefiro as padarias vazias.'
Para Isabel, o mais difícil é o que ela chama de 'roda de mães'. 'Você se senta com cinco mulheres que têm filhos e elas passam dois terços do tempo contando casos deles. Você ri, faz comentários bobinhos, não tem o que dizer. Várias vezes tentei contar casos dos meus sobrinhos pra poder participar. Hoje não faço isso mais, porque vi que histórias de sobrinhos não têm o mesmo status que histórias de filhos.' Ela também se recusa a ir a aniversários de crianças: 'Sempre peço: por favor, não me convidem! Só quem tem filhos merece passar duas horas numa festa infantil'. Ela diz que ama crianças, mas nunca conseguiu se enxergar como mãe e preferiu assumir sua vocação de não-mãe a correr o risco de tornar um filho infeliz.
Bete resume numa frase um aspecto fundamental da vida das mulheres que não tiveram filhos. 'Como somos mais disponíveis, acabamos virando mãe de muita gente: dos sobrinhos, dos filhos dos outros, dos pais, dos irmãos que têm problemas, da diarista...' Ou seja: para que as mães possam ser mães com mais tranqüilidade, é preciso haver algumas não-mães cuidando do resto. Será que isso nos dá o direito de sair do restaurante com a rosa vermelha sem sentir culpa?
Possivelmente. Na dúvida, se você for uma não-mãe, passe numa floricultura qualquer dia de maio e se dê de presente um belo buquê de rosas amarelas. A gente merece.
Leila Ferreira é jornalista, apresentadora de TV e autora do livro 'Mulheres - Por que Será que Elas...', da Editora Globo
segunda-feira, 4 de maio de 2009
PODEROSA...

É assim que estou me sentindo hoje: poderosa...
Também, meu time do coração, a PONTE PRETA é campeã do interior - parece pouco mas...não é não...
O CORINTHIANS... campeão invicto do Paulista... não há o que contestar...
Quando morei no Rio Grande do Sul escolhi ser colorada - INTERNACIONAL... campeão...
Depois, quando me mudei para o Rio de Janeiro achei que seria bom ser torcedora do FLAMENGO... campeão...
Pois é, pena que na vida a gente não celebre as conquistas como fazem os jogadores: vibrando, comemorando... Conquistamos tanta coisa, percorremos caminhos que às vezes são difíceis, vencemos obstáculos que pareciam intransponíveis e... não celebramos, não comemoramos...
Acho que de agora em diante vou celebrar cada conquista, cada passo que eu der querendo ser melhor... Imagino que será bom... vamos ver...
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